

Bem-vindos à revista online FILTHY DOGS OF METAL.
Contem-nos um pouco sobre o DECREPITO (Membros, Ano de Início, etc.).
O Decrepito surgiu de forma totalmente despretensiosa. Nós nos encontrávamos para aprender a tocar, mas, no meio desses ensaios, começaram a surgir algumas. Foi aí que veio a ideia de criar o projeto com a finalidade apenas de gravar essas músicas que estavam nascendo. Num primeiro momento, o projeto se chamaria "Morbido", porém, em uma conversa de bar com um aliado do underground paulista (Felix Alves/Bhardo), soubemos que ele já possuía um projeto com esse nome desde os anos 90 e que possivelmente o retomaria. Então, resolvemos mudar o nome para Decrepito.
Vocês lançaram recentemente o EP "Decrépito". Qual tem sido o feedback do público e da imprensa?
Sinceramente, isso é algo que não me preocupa. Tivemos alguns feedbacks positivos de pessoas próximas, mas, para mim, não existe nada mais gratificante do que ver a arte materializada.
A capa do EP tem uma atmosfera matadora! Contem-nos um pouco sobre ela.
A capa foi feita pela artista Satvrnvs Noctvrna. Passamos apenas a letra da música "Invocação Profana" para ela, e a inspiração foi toda dela. Ficamos totalmente satisfeitos com o resultado. Aproveito para agradecer também o artista criador do logo, Ran Silva, que conseguiu expressar na logo toda a atmosfera da banda.

E quanto às letras?
As letras abordam ocultismo, satanismo e tambem o culto ao metal na sua mais pura forma como a faixa Metal e Álcool. Tentamos ser o mais diretos possível nas letras. Os temas são repúdio total ao podre cristianismo e sempre exaltando Lúcifer e sua legião de demônios.
Vocês estão procurando uma gravadora? O que vocês preferem, gravadora ou produção independente, e por quê?
O material será lançado fisicamente nos próximos meses. Conversamos com alguns selos aliados, mas, independente de selos ou gravadora, o material físico será lançado, pois apenas no físico a arte está completa.
Há alguma história engraçada ou estranha das gravações ou dos shows ao vivo que vocês gostariam de compartilhar conosco?
Nós não tocamos ao vivo e é provável que nunca toquemos. Mas, nos ensaios e gravações, sempre temos um clima descontraído, pois, antes de sermos banda, sempre fomos amigos. Nossas sessões de estúdio fluem de forma tranquila, sempre focadas em tomar uma cerveja e registrar o metal extremo mais honesto possível.
Vocês preferem vinil, fita cassete, CD ou formato digital, e por quê?
Mídia física sempre, seja CD, vinil ou K7. Quem frequenta o subterrâneo do underground sabe que, quando gostamos e prestigiamos uma banda, sempre compramos o material físico. E não existe nada mais gratificante do que ouvir e consumir música no material físico.
O estilo musical de vocês é Black/Thrash Metal. Quais são as principais influências (Artistas/Bandas favoritas, etc.)?
Para esse projeto, absorvemos muito da agressividade e atmosfera da primeira onda do Black Metal. Nossas influências vão desde Venom, Bathory, Sarcófago, Sepultura (antigo), Motörhead, Atomkraft, Kat, Masters Hammer, Tank e entre outras.

O que vocês acham que uma banda deve sacrificar para ter sucesso? Você já sacrificou algo na sua vida por um futuro melhor para sua banda?
Sendo uma banda underground, nós não pensamos em sucesso nos moldes tradicionais da indústria. Nosso foco é a música. Por isso, os sacrifícios que fazemos não são por ambição de fama, mas por dedicação. Sacrificamos fins de semana, horas de descanso e recursos financeiros simplesmente para gravar. A nossa recompensa é ver a arte materializada, nada além disso.
Descreva o show ao vivo ideal da sua banda. Você já teve essa experiência?
O Decrépito foi concebido estritamente como um projeto de estúdio, portanto, não temos planos de nos apresentar ao vivo. Para nós, o "ambiente ideal" é o próprio estúdio ou a sala de ensaio, onde conseguimos canalizar e registrar a atmosfera obscura e a crueza do nosso som exatamente da forma que queremos.
O que você acha da ascensão da IA na produção musical?
Somos totalmente contra o uso de IA no meio underground e na música em geral. Não apenas a música, mas as artes de capa e cartazes de show perdem toda a essência da arte em sua forma mais pura e humana. A música real e os subgêneros do rock surgiram da imperfeição e da criatividade de pessoas que, de alguma forma, só queriam fazer. Acho que é por isso que o heavy metal é um dos estilos musicais com grande numero de subgêneros, pois todos, de alguma maneira, se viraram para fazer um som agressivo do seu jeito. Quando se usa IA para tentar reproduzir a imperfeição humana, se perde isso e sempre faltará algo na música..
Quais atributos você acha que uma nova banda de Black/Thrash Metal deve ter para ganhar identidade e ser única?
Como tudo na vida, primeiro agrade a si mesmo. A identidade única sempre aparece quando se faz qualquer coisa com prazer, a banda precisa ignorar tendências e focar na essência do estilo. O Black/Thrash exige sujeira, velocidade e uma atmosfera obscura real. Quando o som é feito com sangue nos olhos, dedicação total ao underground e sem a preocupação de soar "perfeito" ou comercial, a dentidade surge naturalmente. O erro humano e a crueza são o que tornam uma banda única, não a tecnologia ou a cópia barata do passado.

Você acredita que as plataformas digitais ajudam as novas bandas de Black/Thrash Metal? Qual, na sua opinião, é a maneira ideal para uma banda promover seu trabalho?
Creio que cada geração tem o seu algoz quando se fala de tecnologia. Mas, usando da maneira certa, acho que as plataformas digitais ajudam na divulgação e, principalmente, em conhecer novas bandas do gênero musical que mais te agrada. O ideal é que não se deixe levar por algoritmos, pois cada pessoa tem um gosto único. Sempre vá atrás daquilo que te agrada. Porém, o digital é apenas uma vitrine. Para nós, a maneira ideal de promover o trabalho ainda é a velha escola: o boca a boca entre bangers, o apoio mútuo entre fanzines, canais especializados do underground e o lançamento de materiais físicos (K7, CD, Vinil) que criam um vínculo real e duradouro com quem realmente apoia a cena.
Com base na sua experiência na indústria musical, o que você diria para uma nova banda de Black/Thrash Metal evitar ou fazer?
Primeiro, nós não nos vemos dentro da "indústria musical", mas sim na cena underground — e essa é a principal distinção. O conselho é evitar moldar o som ou a estética para tentar agradar algoritmos, modismos ou produtores comerciais. O que se deve fazer é focar na honestidade da sua música, apoiar os fanzines, selos e bandas aliadas, e manter a convicção no metal extremo, sem amarras ou concessões comerciais.
Conte-nos um pouco sobre a nova cena underground do metal em Osasco, São Paulo, Brasil (bandas, fanzines, webzines, casas de shows de metal etc.).
A cena underground em São Paulo, está sempre renovando com novas bandas, como o Feitiço Oculto, Macabro Satan's Vengance, Schizogoat, Açoite entre muitas outras. Em Osasco tem o estúdio do Lau que rola diversos shows de bandas underground e na grande São Paulo tem os espaços culturais como o tendal da lapa, CCJ centro cultural da juventude, fora as casas de show particulares como Jai Club, Hangar 110, Carioca Club, Red Star Estudios. Em São Paulo temos show quase todos
os finais de semana. Nós trabalhos de zine tem muitos escritores independentes que apoiam as bandas...
O que o metal significa para você? E cite 10 álbuns de metal que correm nas suas veias.
Black Sabbath - Paranoid
Metallica - Kill em All
Judas Priest - Painkiller
Ratos de Porão - Brasil
Motorhead - Ace of Spades
Bathory - Bathory
Thin Lizzy - Black Rose
Ozzy - Diary of a Madman
Megadeth - Rust in Peace
Iron Maiden - Somewhere in Time
Você sabe algo sobre a cena metal grega?
A cena grega de metal existem bandas maravilhosas como o Slaugthered Priest, Omega, Konepistooli, Zemial, Necrochakal, SAD e Varathron. Gostamos muito da cena underground grega.
Quais são seus planos para o futuro?
Nossos planos agora e dar uma folga com as novas composições, assim tem o tempo do público absover o novo trabalho. O objetivo principal é gravar mais dois Ep's todos eles com 06 músicas e quem sabe uma coletânea num futuro próximo com alguns covers algo assim.
Muito obrigado pelo seu tempo e continue com o bom trabalho! A palavra é sua.
Gostaríamos de agradecer o convite para participar do seu fanzine. Esse tipo de iniciativa é fundamental e nunca deve ser deixada de lado no underground. Jamais esperávamos que o nosso som alcançasse as terras gregas. Muito obrigado!
By Steve the Filthy Dog.
DECREPITO CONTACT:
https://www.instagram.com/decrepitobm.666/
https://decrepitobm.bandcamp.com/album/decr-pito